No dia 19 de novembro, a discussão sobre saneamento ganha espaço para reforçar um tema diretamente relacionado à saúde, à qualidade de vida e ao desenvolvimento das cidades. No Brasil, apesar dos avanços registrados nas últimas décadas, ainda existem desafios importantes para ampliar o acesso aos serviços de abastecimento de água, esgotamento sanitário, manejo de resíduos e drenagem urbana.
O saneamento não se resume à construção de redes ou estações de tratamento. Ele envolve uma estrutura essencial para o funcionamento das cidades e tem impacto direto sobre as condições de vida da população.
Quando esses serviços são insuficientes, os efeitos aparecem em diferentes áreas. A saúde pública é afetada, os recursos hídricos ficam mais vulneráveis e o desenvolvimento urbano se torna mais desigual.
Um cenário que ainda exige investimentos
Os dados oficiais do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) permitem acompanhar a evolução dos serviços no país.
O sistema passou a funcionar em 2024, dando continuidade ao trabalho realizado anteriormente pelo SNIS. Sua primeira coleta reúne informações sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, resíduos sólidos e águas pluviais, além de dados relacionados à gestão municipal.
Esse acompanhamento é importante porque permite identificar desigualdades entre municípios e compreender onde estão os principais gargalos.
No caso do abastecimento de água e do esgotamento sanitário, por exemplo, a expansão dos serviços depende de investimentos em infraestrutura, planejamento, operação e capacidade de atendimento.
A própria Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) estabelece normas de referência relacionadas à universalização desses serviços e prevê o acompanhamento de indicadores de cobertura e atendimento.
O impacto vai além da infraestrutura
A ausência ou a precariedade desses serviços não representa apenas um problema de infraestrutura urbana.
O acesso adequado à água e à coleta e ao tratamento de esgoto está relacionado às condições de saúde da população. Quando o esgoto não recebe destinação adequada, por exemplo, aumenta o risco de contaminação do solo e dos corpos d’água.
Também existe um impacto ambiental.
O lançamento inadequado de efluentes pode comprometer a qualidade dos recursos hídricos e afetar os usos da água. Por isso, ampliar a cobertura dos serviços precisa caminhar junto com a eficiência dos sistemas de tratamento e com o controle das condições de lançamento.
Tratamento também precisa evoluir
Ampliar o acesso ao saneamento é apenas uma parte do desafio. Os sistemas existentes também precisam funcionar de maneira eficiente.
Estações de tratamento de água e de esgoto, por exemplo, dependem de equipamentos adequados, manutenção, monitoramento e controle operacional.
A Norma de Referência nº 9/2024 da ANA estabelece indicadores operacionais para os serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Entre os indicadores previstos estão aspectos relacionados a perdas de água, qualidade da água, demanda bioquímica de oxigênio do esgoto tratado e intermitência dos serviços.
Isso mostra que a qualidade do serviço não depende somente da existência de uma rede. É necessário acompanhar seu desempenho e buscar melhorias contínuas.
Reúso pode fazer parte dessa transformação
Outra frente importante é o aproveitamento mais eficiente da água.
Nem toda atividade exige água potável. Dependendo da aplicação e do tratamento realizado, a água pode ser destinada a usos não potáveis, reduzindo a necessidade de utilizar água de maior qualidade em determinadas tarefas.
Em empreendimentos residenciais, comerciais e industriais, soluções de tratamento e reúso podem ser utilizadas, por exemplo, para atividades compatíveis com a qualidade da água produzida pelo sistema.
Essa estratégia ajuda a ampliar a eficiência hídrica e pode reduzir a pressão sobre os sistemas convencionais de abastecimento.
A importância da gestão dos efluentes
O tratamento adequado dos esgotos e efluentes também ocupa uma posição central nesse cenário.
Uma operação eficiente precisa considerar as características do efluente, a tecnologia empregada, a capacidade do sistema e os requisitos ambientais aplicáveis.
Em determinadas situações, tecnologias compactas podem contribuir para viabilizar o tratamento em locais com restrição de espaço. Já sistemas mais completos podem ser dimensionados para atender demandas maiores e possibilitar diferentes destinos para o efluente tratado, conforme as condições do projeto.
Por isso, não existe uma única solução para todos os empreendimentos. A escolha deve partir das características da operação e dos objetivos definidos para o tratamento.
O papel das empresas nessa agenda
O avanço do saneamento depende de políticas públicas, investimentos e expansão da infraestrutura. Mas empresas também podem contribuir para uma utilização mais eficiente dos recursos dentro de suas próprias operações.
Indústrias, condomínios, empreendimentos comerciais e outros estabelecimentos podem avaliar alternativas para reduzir o consumo de água potável, tratar seus efluentes e melhorar o controle dos processos.
Nesse contexto, equipamentos e sistemas de tratamento deixam de ser apenas estruturas de apoio e passam a integrar uma estratégia mais ampla de eficiência operacional.
Um desafio que envolve toda a sociedade
O saneamento está diretamente relacionado à forma como as cidades crescem e utilizam seus recursos.
Garantir água de qualidade, tratar adequadamente os esgotos, reduzir perdas e melhorar a gestão das águas pluviais são medidas que contribuem para cidades mais preparadas para os desafios ambientais e sociais das próximas décadas.
Os dados oficiais ajudam a mostrar onde estão os principais desafios. A partir deles, gestores públicos, empresas e sociedade podem tomar decisões mais bem fundamentadas.
Para a GMAR Ambiental, participar dessa transformação significa desenvolver e implementar soluções que contribuam para tratamento, reúso, controle e aproveitamento mais eficiente da água em diferentes tipos de operações.
O saneamento começa na infraestrutura, mas seus resultados chegam à saúde, ao meio ambiente, à economia e à qualidade de vida. Por isso, discutir o tema é também discutir o futuro das cidades brasileiras.