Em janeiro de 2026, a Arsesp autorizou um reajuste médio de 6,11% nas tarifas de água e esgoto da Sabesp em todo o estado de São Paulo. Para uma residência com consumo entre 11 m³ e 20 m³, o valor por metro cúbico subiu de R$ 6,01 para R$ 6,40.
O percentual, à primeira vista, parece pequeno. Mas, segundo administradoras de condomínio, o efeito acumulado desse tipo de reajuste tem transformado a conta de água em um dos itens de despesa que mais pressiona o orçamento condominial mês a mês — ao lado da folha de pagamento, que tradicionalmente lidera a lista de custos fixos.
Esse cenário é o pano de fundo para uma pergunta que síndicos, administradoras e gestores condominiais vêm fazendo com mais frequência: existe uma forma de reduzir estruturalmente essa conta, sem depender de cortes de serviço ou racionamento incômodo para os moradores?
A resposta técnica passa por um equipamento que ainda é pouco conhecido fora do setor: o STAC, sistema de tratamento de água de chuva.
O que o STAC faz, na prática
O STAC é um sistema modular projetado para captar, tratar e disponibilizar para reúso a água da chuva coletada em telhados, coberturas e áreas de captação de um empreendimento.
Diferente de uma simples cisterna, que apenas armazena a água pluvial, o STAC processa essa água por meio de duas etapas técnicas: filtração multimídia de alta performance, que remove sólidos e impurezas, e desinfecção por cloro, que garante a qualidade sanitária da água para as aplicações finais.
O resultado é uma água de reúso segura para irrigação de jardins, lavagem de pisos e áreas comuns, limpeza de veículos e descarga em vasos sanitários — usos que, somados, costumam representar uma fatia considerável do consumo total de um condomínio, mas que não exigem o padrão de potabilidade da água tratada pela concessionária.
O sistema é oferecido em dois modelos: o STAC compacto, com vazões de até 1.500 L/h, dimensionado para condomínios e empreendimentos de menor porte; e o STAC industrial, voltado a operações com demanda mais intensa.
Em ambos os casos, o diferencial técnico está no formato modular e no elemento filtrante substituível, que pode variar conforme o projeto — o que aumenta a durabilidade do sistema e simplifica a manutenção ao longo do tempo.

Por que isso importa além da economia direta
Reduzir o consumo de água potável em atividades que não exigem esse padrão traz um benefício óbvio: menos volume faturado pela concessionária, portanto menos impacto dos reajustes tarifários no caixa do condomínio. Mas o efeito vai além disso.
Primeiro, há o ganho de previsibilidade orçamentária. Um condomínio que reduz sua dependência da rede pública para usos não potáveis fica menos exposto a reajustes anuais e a eventuais medidas de restrição de consumo em períodos de estiagem — cenário que já vem sendo discutido com frequência crescente por administradoras em diferentes capitais do país.
Segundo, há o argumento ambiental, cada vez mais relevante para empreendimentos que buscam se posicionar como sustentáveis perante moradores, investidores e futuros compradores de unidades. Reaproveitar água de chuva que, de outra forma, seria simplesmente escoada para o sistema pluvial da cidade, é uma forma concreta — e mensurável — de reduzir a pegada hídrica do empreendimento.
Terceiro, e menos óbvio: em regiões com histórico de chuvas intensas e picos de escoamento, um sistema de captação bem dimensionado também contribui para amortecer o volume de água que chega de uma só vez à rede pluvial, reduzindo a pressão sobre a infraestrutura de drenagem da cidade nos momentos de maior volume de chuva.
Instalação, financiamento e integração com sistemas existentes
Um dos principais receios de síndicos e administradoras ao considerar esse tipo de investimento é a complexidade da obra.
Na prática, o STAC foi desenvolvido justamente para minimizar esse obstáculo: por ser um sistema compacto e modular, sua instalação costuma ser mais rápida do que a de soluções convencionais de grande porte, e o equipamento é dimensionado para se adaptar a áreas com pouco espaço disponível — uma limitação comum em empreendimentos já construídos, sem previsão original para esse tipo de sistema.
Outro ponto que costuma pesar na decisão é o investimento inicial.
Aqui, vale destacar que equipamentos como o STAC são homologados pelo BNDES, o que abre a possibilidade de financiamento facilitado para condomínios que optam por essa solução — reduzindo o impacto do investimento inicial no fluxo de caixa e tornando o retorno sobre o investimento mais rápido de ser percebido no orçamento mensal.
Também é possível integrar o STAC a sistemas hidráulicos já existentes no condomínio, avaliando a viabilidade técnica caso a caso.
Isso significa que a decisão de investir em reuso de água de chuva não precisa, necessariamente, esperar uma reforma estrutural ampla — pode ser tratada como um projeto independente, com escopo e cronograma próprios.
Perguntas que costumam surgir na assembleia
Antes de aprovar um investimento como esse, é comum que síndicos e conselheiros levantem algumas dúvidas práticas — e vale a pena antecipá-las.
A primeira costuma ser sobre a real eficácia do sistema: o STAC de fato reduz o consumo de água potável de forma perceptível na conta mensal, já que direciona para reuso justamente os usos que mais pesam no volume total consumido pelo condomínio, como irrigação e lavagem de áreas comuns.
A segunda dúvida frequente é sobre a manutenção: como o elemento filtrante pode variar conforme o projeto, a operação tende a ser simples, sem exigir equipe técnica especializada permanente — o suporte técnico do fornecedor acompanha o funcionamento do sistema ao longo do tempo.
E a terceira, sobre o tamanho da obra: por ser modular e compacto, o STAC costuma ser instalado sem gerar grande transtorno à rotina dos moradores, diferente do que muitas vezes se imagina quando o assunto é reforma no sistema hidráulico do condomínio.
Levar essas respostas prontas para a assembleia — com dados concretos sobre economia esperada, prazo de instalação e possibilidade de financiamento — costuma ser o que diferencia uma pauta aprovada rapidamente de uma que fica engavetada por falta de informação técnica.
Um investimento que se paga em previsibilidade
O aumento da conta de água em condomínios não é um fenômeno pontual, ligado a um único reajuste tarifário — é uma tendência estrutural, associada ao amadurecimento regulatório do setor de saneamento e à crescente pressão sobre os recursos hídricos nas grandes regiões metropolitanas.
Nesse contexto, tratar a água de chuva como um recurso a ser aproveitado, e não como um problema de drenagem a ser escoado o mais rápido possível, deixa de ser uma escolha apenas ambiental e passa a ser uma decisão financeira estratégica para qualquer condomínio que queira ter mais controle sobre seu próprio orçamento.
Se o seu condomínio ainda não avaliou o potencial de reuso de água de chuva, esse é um bom momento para fazer essa análise técnica — antes que o próximo reajuste tarifário chegue à próxima assembleia.
A GMAR Ambiental pode te ajudar a entender a viabilidade do STAC para o seu empreendimento e apontar o modelo mais adequado ao seu perfil de consumo.
Fontes: Lello Condomínios — Reajuste da tarifa de água SABESP em 2026: impacto nos condomínios (janeiro de 2026);
Exame — Tarifa de água da Sabesp em SP terá reajuste de 6,11% em janeiro de 2026.